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domingo, 5 de julho de 2009

Não é mera coincidência

"Na Europa Central oitocentista, intelectuais e poetas tinham adquirido o hábito e a responsabilidade de falar em nome da nção. Sob o comunismo, seu papel era diferente. Enquanto no passado haviam representado um "povo" abstrato, eles eram agora pouco mais do que porta-vozes culturais de tiranos (concretos). Pior, em breve seriam alvos - na condição de cosmopolitas, "parasitas" ou judeus - desses mesmos tiranos, na busca de bodes expiatórios para seus erros."

"De modo geral, o entusiasmo pela teoria comunista existia na proporção inversa da experiência prática do regime."

"E, apesar do fato de o desafio do comunismo estar no centro de debates e disputas ocorridas na Europa Ocidental, a experiência prática do "verdadeiro comunismo", situada a alguns quilômetros a leste, era alvo de pouca atenção e, por parte dos admiradores mais ardentes do comunismo, nenhuma atenção."

Trechos das páginas 214 e 215 do livro Pós-Guerra.

Qualquer semelhança com o Brasil do séc XXI não é mera coincidência. É a ignorância humana que assegura que erros serão permanentemente repetidos.

sábado, 4 de julho de 2009

Nojo

Do UOL:

"04/07/2009 - 07h03
Corinthians oferece apoio à Dilma por ajuda de Lula em estádio
Thales Calipo
Em São Paulo

Os encontros cada vez mais constantes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o mandatário do Corinthians, Andres Sanchez, vão muito além da paixão de ambos pelo time alvinegro. Enquanto o clube pretende angariar mais uma ajuda para o tão sonhado projeto do estádio próprio, o líder da nação pode ganhar um apoio para a provável candidatura da petista e atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2010.

Presidente Lula e Andres Sanchez(d) têm se encontrado ao longo das últimas semanas. O assunto foi discutido entre Andres e Lula há cerca de um mês. Desde então, os dois já estiveram em pelo menos dois eventos públicos, incluindo o da última quinta-feira, quando parte do elenco alvinegro deixou Porto Alegre e, após uma escala em São Paulo, seguiu a Brasília para receber os cumprimentos do presidente pela conquista da Copa do Brasil.

Ainda não foi definido qual tipo de ajuda Lula poderia dar ao projeto de construção do estádio corintiano. Pessoas próximas ao presidente, no entanto, apostam que uma das saídas seria um acordo para que o time não tenha muitos problemas para conseguir um empréstimo junto ao BNDES para viabilizar a nova arena, caso seja necessário. Em contrapartida, o mandatário do Corinthians afirmou a Lula que colocará o clube à disposição de Dilma Rousseff, possível nome do PT na corrida a presidente em 2010.

A atual ministra da Casa Civil poderia, por exemplo, dar o pontapé inicial em uma partida do time alvinegro e ganhar visibilidade. No entanto, não está descartada nem a possibilidade de um apoio mais formal à candidatura de Dilma, que é torcedora do Internacional. Os esforços de Andres para agradar Lula fizeram até com que o mandatário do Corinthians fosse ao Morumbi, na última semana, declarar um apoio ao projeto do estádio do São Paulo para a Copa do Mundo de 2014, mesmo atitude tomada pelo presidente do país.

Na ocasião, o mandatário corintiano declarou que o seu time não iria construir estádio para a Copa do Mundo, apesar de não descartar a intenção de ter uma arena própria. A diretoria alvinegra afirmou ainda que não pretende contar com uma "casa" com mais de 45 mil pessoas, já que espaços grandiosos são deficitários, na visão de Andres.Paralelamente, o Corinthians continua "flertando" com a prefeitura de São Paulo para fechar acordo pelo Pacaembu. Apesar de Andres não ser o maior entusiasta desta ideia, o velho estádio conta com o aval de Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing alvinegro, que tenta bolar uma fórmula para tornar o local viável, mesmo que sua administração passe para o clube. "

sexta-feira, 3 de julho de 2009

20 anos (parece que foi ontem)

Hoje completo 20 anos de carreira. À noite haverá um jantar para amigos.

Os anos passam ligeiro, e lembro como se fosse ontem aquele 3 de julho de 1989. Um jovem de 19 anos chegava cheio de expectativas (e com algum medo) para o seu primeiro dia de trabalho.
O emprego era em uma multinacional, e mais de 300 pessoas haviam participado do processo seletivo. Eu era um dos 4 selecionados.

Confesso que naquela época eu tive vontade de tentar a vida fora do Brasil. Mas acabei não realizando este desejo. Os que viveram aquela época sabem que era um período de esperança, apesar da inflação. A Constituição era novinha, de 1988. Em 89 teríamos a primeira eleição direta para presidente desde 1960. Tudo se resolveria, o Brasil era o país do futuro, e ninguém poderia nos segurar. Decidi, então, ficar por aqui.

Trabalhei duro, sempre procurando progredir. Tive bons empregos, joguei empregos fora, vivi aventuras, fui sócio de empresas, fali, voltei a ser empregado, morei em 4 estados do Brasil. Acertei algumas, fiz besteiras. Sempre com a intenção de melhorar, de progredir, e sempre acreditando no futuro do país.

Acreditava tanto no futuro do país que em 1999 deixei definitivamente um ótimo emprego, e abri um negócio próprio, que possuo até hoje. O Brasil era o país do futuro, e eu queria estar bem posicionado para este futuro.

Mas o futuro acabou em janeiro de 2003, com a posse de Lula na presidência da república. Trocamos o futuro pelo passado, voltamos a práticas coronelistas do início do século XX, com a diferença que agora temos apenas um grande coronel nacional – Lula. Corrupção e roubalheira passaram a ser toleradas pela sociedade, desde que praticadas com a conivência do PT. A ignorância tomou conta da população, e a imprensa se transformou em porta voz do governo. O pensamento politicamente correto matou o próprio pensamento. O eleitorado foi comprado pelo Bolsa Família, assegurando a permanência do PT no poder, e assegurando a permanência do país no atraso. Dá-se vivas à ignorância, ao passo que o conhecimento é discriminado como “coisa da zelite”. As pessoas trabalham apenas enquanto não conseguem se transformar em funcionários públicos. Rejeitamos o certo, e aplaudimos o errado. Os valores que me forjaram viraram “coisa de otário”, e no mundo corporativo, onde habito, vale a esperteza, e a ética é algo utilizado apenas para decorar quadrinhos pendurados na recepção das empresas. Estamos desistindo da civilização, e muito sofrimento ainda será necessário para começar a mudar este estado de coisas (um dia).

Trabalhei duro, estudei bastante. Meus impostos estão em dia. O salário de meus empregados está em dia. Mas no Brasil deste futuro às avessas não passo de um capitalista safado, explorador sanguinário. Qualquer estudante ligado ao PT, PSOL ou PSTU gostaria é de me dar umas pedradas. Se lá em 3 de julho de 1989 eu tivesse desistido da vida e me entregue à vagabundagem, e fosse hoje um beneficiário do Bolsa Família e eleitor de Lula, aí sim eu seria um honrado cidadão brasileiro, um exemplo para este século XXI.

Se soubesse disso 20 anos atrás, talvez tivesse considerado melhor a hipótese de construir a minha vida em outro país. Só não poderia ter sido nos Estados Unidos de Obama, nem a Venezuela de Chavez. Nem o Equador, a Bolívia, a Nicarágua, a Argentina. Peru e México já estão na alça de mira. É, o mundo está ficando pequeno.

Mas já que não dá para voltar no tempo, vamos celebrar. Pelo menos por hoje. O vinho é por minha conta. Amanhã será outro dia.

Divisor de águas

Já escrevi várias vezes que o escândalo do mensalão foi um divisor de águas na história brasileira. Até ali a opinião pública não aceitava a corrupção mas, desde então, passou a não se importar, se o processo de corrupção for a favor do PT. Foi uma mudança profunda de postura.

Começo a crer que a situação de Honduras representará também um divisor de águas na postura da imprensa. Como escrevi ontem, parece haver uma incompatibilidade entre a profissão de jornalista e a verdade. No entanto, parece ser com a situação de Honduras que a imprensa perdeu totalmente o pudor de mentir, ou de manter as aparências. Uma vez perdido este pudor, a verdade está definitivamente sepultada na atividade jornalística.

A ordem do chefe

Até a semana passada Lula defendia Sarney, e a imprensa continuava a bombardeá-lo com denúncias.

Identifiquei em um texto uma contradição nisto, uma vez que a imprensa no Brasil trabalha a serviço de Lula. No oportunidade, escrevi que Lula queria Sarney absolutamente nas cordas e que, portanto, a ordem para a imprensa calar a boca ainda não tinha partido do Planalto.

Agora acho que a situação mudou. Começo a achar que a ordem para calar a boca já foi emitida e, portanto, não veremos mais na imprensa o bombardeio diário de denúncias contra Sarney.

A conferir.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A imprensa e a mentira

Este caso de Honduras está sendo muito útil. Através dele estamos descobrindo o grau de comprometimento (assustador) de autoridades e instituições mundiais com o Foro de São Paulo. Parece que o mundo inteiro está submetido ao Foro. E vemos também o grau de comprometimento da imprensa mundial com o Foro, que também é assutador.

A mentira está sendo usada de forma avassaladora pela imprensa planetária, para fazer valer seu ponto de vista pró-foro. Mentira deslavada, sem constrangimento. É a imprensa, cuja função inicial era informar, transformada em braço do Foro, encarregada de mentira, manipulação e lavagem cerebral.

Mas analisando a imprensa de forma mais ampla, percebemos que parece haver uma incompatibilidade entre a imprensa e a verdade até nas coisas mais banais. Vou citar 4 exemplos idiotas, mas que evidenciam a incapacidade de a imprensa conviver com a verdade:

Caso 1 - Porto alegre, final da década de 1980, e um jovem talento promissor aparecia no Grêmio (acabou ficando só na promessa...). O jovem teve que fazer o serviço militar. Isto foi objeto de uma reportagem de televisão, que falava sobre a vida dele no quartel, e "informava" que ele já fazia parte do time de basquete do batalhão, onde era o cestinha, e a reportagem fechava com uma cesta do novo Michael Jordan. Uma notícia bem light. Não muito tempo depois, chegou a minha vez de participar do processo seletivo para o serviço militar. Foram tantas etapas de seleção, que já tínhamos alguma amizade com pessoas do quartel. Então eles contaram que o rapaz nunca havia jogado basquete na vida, que o pessoal da reportagem resolveu inventar aquilo, e que ficaram filmando meia-hora na quadra até que o sujeito conseguisse acertar um arremesso, para colocar na matéria.

Caso 2 - São Paulo, meados da década de 1990, eu prestava serviços para uma empresa em São Paulo, e chegou a equipe da Globo para fazer uma entrevista com o diretor da empresa, para aparecer no jornal nacional. A empresa não estava contratando funcionários. Mas o repórter informou que gostaria que o diretor dissésse que estavam em forte processo de contratação. O diretor, louco de feliz por aparecer no jornal nacional, não teve dúvida: "nossa empresa está investindo, e estamos em forte processo de contratação de funcionários".

Caso 3 - Rio de Janeiro, década de 1960, e um diário carioca assina contrato com a cantora Maysa para ter uma "coluna da Maysa". A tal coluna foi publicada durante bastante tempo, mas nunca Maysa escreveu qualquer texto para o jornal, nem leu, nem revisou, nem nada. Se Maysa estava cantando no Japão, lá escrevia o jornalista contratado para "ser" Maysa no jornal: "Aqui em Tokio...", e tome mentiras para os leitores.

Caso 4 - Porto Alegre, início da década de 1970, o jovem jornalista Rogério Mendelski, que viria a ser um dos mais brilhantes jornalistas políticos do Rio Grande do Sul, mas que nunca estudou nem se interessou por astrologia, era o encarregado de escrever o horóscopo para o jornal em que trabalhava. E tome criatividade para inventar previsões todos os dias...

Mas, a maioria da população ainda recorre à imprensa tradicional para informação. Alguns até pagam pelo jornal...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Eu pago o "Luz Para Todos"

Almoçava hoje com um amigo, gaúcho, que possui uma pequena propriedade rural para lazer, no interior do Rio Grande do Sul. Não conheço su propriedade mas, segundo ele, ficam beeeem longe de tudo. Na propriedade há duas casas, uma que é usada pelo meu amigo quando em visita por lá, e outra usada pelo casal de caseiros. Segundo meu amigo, há na região diversas outras propriedades, todas similares, distantes uma das outras.

Outra informação importante do meu amigo - os trabalhadores rurais da região são fiéis ao PP (antiga Arena, que depois virou PDS, que então virou PPB, que agora é PP). Por tradições gaúchas.

Pois bem, qual não foi a surpresa do meu amigo ao ver chegar lá na sua propriedade a energia elétrica, trazida pelo programa "Luz Para Todos" do governo Lula. Não sei se entendi bem, mas parece que instalaram 8km de cabos elétricos, apenas para atingir a propriedade do meu amigo. Ou seja, o retorno econômico deste investimento deverá ocorrer em alguns séculos.

Mas o resultado principal da estratégia de Lula já está sendo atingido - os trabalhadores, ainda fiéis ao PP, já falam: "só temos energia elétrica graças ao presidente lula".

Na verdade, deveriam dizer: "graças ao povo brasileiro que paga impostos para que lula aplique em ações eleitoreiras que beneficiam ele e o PT".

Ainda segundo meu amigo, o mesmo se estendeu a todas as propriedades da região. Não há mais nenhuma casa sem energia elétrica. Muitos quilômetros de cabos. E muitos votos para o PT em 2010.

O que comentei com meu amigo foi - como é que os presidentes anteriores não pensaram nisto e deixaram esta bola picando, pronta para Lula chutar?

Derrotar o PT em 2010 não vai ser fácil. até porquê parece que a oposições trabalham a serviço de Lula...

Agora só falta o meu amigo me convidar para um fim de semana na chácara dele, para eu poder usufruir um pouco desta energia que ajudei a pagar...