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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Do Olavo de Carvalho

"A facilidade com que o comentário político se deleita em miudezas, deixando de lado o essencial, impõe a quem compreende a gravidade do fenômeno a obrigação de avisar ao distinto público que aquilo que hoje lhe vendem como jornalismo é na verdade um produto novo e distinto, com finalidade inversa à daquilo que uma geração atrás se consumia sob essa denominação.

A palavra "notícia" vem do verbo "notar", que quer dizer captar, apreender, perceber. Quando as notícias que você recebe de vários canais vêm com conteúdo uniforme e num tom acachapantemente idêntico, é claro que elas não expressam a percepção humana, variada e individualizada por natureza, e sim um trabalho de engenharia, um molde prévio imposto aos fatos, não para refleti-los e sim para substituí-los. O caso dos atentados em Oslo é exemplar, sob esse aspecto. Informações flagrantemente erradas disseminaram-se pelo mundo em poucos minutos, num tom de certezas universalmente reconhecidas, ao passo que seus desmentidos só vieram aparecendo aos poucos, um aqui, outro ali, sem força de rechaçar a massa homogênea de falsidades que, como a "bolha assassina" do famoso thriller, já havia engolido multidões inteiras. Atentados terroristas, convém repetir, nunca são a finalidade de si mesmos. Estão sempre inseridos em alguma estratégia geral que, por meios políticos e midiáticos incruentos, prepara o seu advento e colhe (ou produz) os seus resultados. A destruição física deve ser precedida e seguida de empreendimentos de demolição moral ou chantagem política que transfigurem a mera carnificina em vantagem política concreta.

Só para dar dois exemplos clássicos, o 11 de setembro apoiou-se numa década inteira de propaganda anti-americana crescente e em seguida conseguiu inverter a impressão inicial de horror ao terrorismo, transformando-a numa onda mundial de ódio aos EUA; na Espanha, menos de 24 horas depois do atentado de 2004 já estava nas ruas uma gigantesca manifestação popular, não contra os terroristas, mas contra... o governo conservador do primeiro-ministro Aznar."

Obama e os canalhas

Como figura importante do processo de desconstrução da sociedade ocidental, é claro que Obama conta com o apoio e a simpatia dos canalhas, o que inclui boa parte da imprensa americana, e quase toda a imprensa brasileira.

Nas últimas semanas o assunto foi a dívida pública americana e a possibilidade de calote. Dívida esta que, em minha opinião, é absolutamente impagável, e que qualquer medida emergencial aprovada agora apenas empurrará o problema para a frente. Mas, enfim, muita coisa foi dita pelos canalhas neste processo. Cito duas: a) nos governos anteriores o Congresso Americano nunca criou obstáculos para elevar o teto da dívida, agora só querem atrapalhar o governo Obama; b) a 14a emenda da Constituição Americana dá ao presidente o poder de ignorar o legislativo e elevar o teto da dívida por decreto. Esta possibilidade foi defendida pelos canalhas Bill Clinton e Paul Krugman (colunista do NYT), entre outros.

Comento:

a) Em relação à colocação de que o Congresso nunca criou empecilhos à elevação do teto da dívida. É quase uma verdade, embora alguns congressistas, como Obama, tenham se posicionado contra a elevação do teto da dívida em oportnidades anteriores. Contudo, ao se avaliar esta afirmação é precis ter em mente que Bush entregou o governo a Obama com uma dívida na faixa dos US$6 trilhões, e em três anos de governo Obama a dívida já ultrapassou US$14 trilhões. Acho que os Congressistas tem o direito e, principalmente, o dever de intervir numa situação dessas, para colocar um freio na gastança de dinheiro público. Já boa parte da imprensa americana, e a quase totalidade da imprensa brasileira acham que os congressistas só têm o direito de calarem suas bocas e deixarem Obama governar.

b) 14a emenda da Constituição - vou transcrever abaixo o trecho da 14a emenda que trata sobre a dívida pública. Deixarei para os leitores julgarem se ela autoriza o presidente a passar por cima do Congresso:

"Section 4. The validity of the public debt of the United States, authorized by law, including debts incurred for payment of pensions and bounties for services in suppressing insurrection or rebellion, shall not be questioned. But neither the United States nor any State shall assume or pay any debt or obligation incurred in aid of insurrection or rebellion against the United States, or any claim for the loss or emancipation of any slave; but all such debts, obligations and claims shall be held illegal and void.

Section 5. The Congress shall have power to enforce, by appropriate legislation, the provisions of this article."

Do Reinaldo Azevedo

"O mundo está entrando numa quadra difícil. Desde que me ocupo da política — e eu comecei a me interessar muito cedo por isso, como sabem alguns dos meus professores do ginásio, que, felizmente, ainda estão por aí, firmes e fortes — , não me lembro de momento em que valores fundamentais da democracia estivessem sob tão forte especulação. Se o mercado venceu a batalha contra as chamadas economias planificadas — a esta altura, ninguém mais contesta isso; talvez só Fernando Haddad, que anteviu a sobrevivência do regime soviético, pouco antes de ele acabar… — , tenho certo receio de que a democracia representativa esteja perdendo a batalha para formas autoritárias de governo que trazem, vejam que curioso!, a marca da suposta “democracia direta”, que viria a substituir a outra (como se houvesse “outra”), considerada ineficaz para responder às demandas dos “oprimidos”. Num regime democrático, os “oprimidos”, noto à margem, são uma construção ideológica daqueles que falam em seu nome. A questão é lógica: se oprimidos, não se organizam nem se expressam; se o fazem, oprimidos não são, mas uma força política que disputa o poder. Se, mesmo no poder, querem conservar a aura de oprimidos, então são fascistas."

"Correntes de opinião de vários países democráticos, que disputam eleições e participam do jogo político, com um ideário que cabe em suas respectivas constituições, passam a ser tratadas como párias. Quantos textos bucéfalos vocês leram sustentando que o psicopata norueguês revelaria a real face da chamada extrema direita européia e até americana? Procurem: a delinqüência intelectual de certos “progressistas” chegou a associar o homicida ao Tea Party. Aprende-se, assim, que todas as forças políticas européias ou americanas que lutam pela preservação de alguns valores que consideram inegociáveis — muitos deles são pilares da democracia — seriam de inspiração fascista; toda proposta que tenta conter a imigração ilegal (que acaba sempre “legalizada”) seria necessariamente xenófoba; toda e qualquer contestação mesmo dos aspectos mais obscurantistas do islamismo seriam necessariamente preconceituosas. Vale dizer: a única pauta legítima, então, é a das esquerdas européias ou dos liberais americanos. Na Europa, a cascata não está colando junto ao eleitorado; nos EUA, vamos ver. Na América Latina, os especuladores contra a ordem democrática vivem, digamos assim, um “bom momento”."

Mundo de gente louca

Quando desejo respirar ares de primeiro mundo, e não tenho dinheiro para uma viagem intercontinental, vou ao Chile. O Chile é um país estranho para os padrões da américa latina, parece definitivamente estar no continente errado.

Lá a pobreza é pequena, a vida é organizada, o estado é eficiente, o capitalismo opera com liberdade, o povo anda bem vestido nas ruas. Mesmo sofrendo terremotos arrasadores de tempo em tempo o Chile se reergue e segue sendo um país diferenciado.

Pois bem, há neste momento uma revolta entre os jovens chilenos, os quais tomam as ruas e praças diariamente para protestar, e os confrontos com a opolícia são permanentes. Já apelidaram o movimento de "primavera chilena", numa tentativa de fazer analogia com as revoltas de jovens nos países árabes. Como se fosse possível comparar as duas situações.

Entrevistados, os líderes da tal revolta declaram que o seu ídolo é ... Evo Morales.

Morales é o ditador da Bolívia, um país fracassado, miserável, sem esperança, que vive da produção de drogas, comércio de carros roubados dos países vizinhos e roubo de refinarias.

Houvésse ainda um pingo de racionalidade nas ações humanas e os jovens bolivianos estariam nas ruas exigindo que seu país se transformasse num Chile. Contudo, num momento em que a insanidade geral parece ter tomado conta da humanidade, são os jovens chilenos que tomam as ruas para exigir que seu país se transforme numa Bolívia.

Há esperanças?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Do Luiz Felipe Pondé

"O novo "gênero" de fascismo é se travestir de "fascismo do bem". Um bom governante não é alguém que se acha redentor de um povo, pelo contrário. Quanto menos "ideia" tiver sobre "o que deveria ser" a sociedade que governa, melhor, diz o filósofo inglês Michael Oakeshott, morto em 1990.
Redentores políticos facilmente corrompem a liberdade, como é o caso de Rafael Correa e Hugo Chávez, em nome do que eles chamam "justiça social" -tenho alergia a esse mantra.
Ou mesmo no caso do Partido dos Trabalhadores no Brasil, que corrompe a máquina do governo ideologizando a corrupção, realizando-a sob a desculpa de que quem os critica é porque são da elite.
Corrupção sob a tutela da ideologia é "pior" do que corrupção pura e simples porque os corruptores neste caso se julgam acima da lei porque representam o "povo" contra "as zelite".
Gente mal informada acha que "festa da democracia" é quando um bando de caras pálidas corre pelas ruas quebrando tudo ou berrando palavras de ordem (o nome já diz... palavras de ordem... coisa de fascista). Não, "festa da democracia" é quando você vai a uma balada e não lembra que o governo existe."

Empresários safados

Entre as porcarias trazidas pelo lulismo, a partir de 2003, está o empresário chapa branca ufanista. Não é um chapa branca comum. No passado o empresário chapa branca se limitava a financiar campanha, convidar para festas (de sacanagem), pagar propinas e dar tapinhas nas costas.

Já os chapas brancas pós lulistas precisam ir para a mídia e aliar suas campanhas publicitárias ao clima de ufanismo que o barbudo criou no país.

Hoje pela manhã ouvi no rádio a propaganda de uma empresa que diz "acreditar nas transformações que a copa do mundo vai trazer para o Brasil".

Safados, para fazer pregação de slogan governista como se sua propaganda fosse, recebem, por trás dos panos, as benésses governistas reservadas apenas aos empresários companheiros. Quem paga a conta é o dinheiro dos impostos arrecadados dos miseráveis.

Sambando sobre o caixão alheio

"A reconstrução da Região Serrana após a enxurrada ocorrida em janeiro, que matou mais de 900 pessoas, vem sendo cercada de problemas. Ao longo deste mês, O GLOBO mostrou que uma investigação realizada pelo Ministério Público Federal apontou suspeitas de um acordo entre secretários municipais e empresários, para que o percentual da propina, normalmente de 10%, fosse elevado para 50%."

Comento: todo povo tem os governantes que merece.