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domingo, 31 de janeiro de 2010

Governo, atrapalhando desde sempre

Trecho das páginas 329 e 330 do livro História do Brasil Com Empreendedores, de Jorge CAldeira:

"A passagem da estrutura de crédito existente no Brasil do início do século XIX para algo próximo ao exigido por um sistema de crédito capitalista empacou na construção de um papel adequado para o setor público nesse processo. As perspectivas existiam. O setor tornado privado não era apena ficção. Continha, como base real, toda a rede de relações contratuais, a capacidade empreendedora de organizar uma produção - e até o volume acumulado. A nova realidade legal poderia permitir um rápido desenvolvimento do sistema de crédito.

Para isso, bastava abrir o espaço público (isto é, o espaço das leis, e não mais governamental, como no antigo regime) para o mercado que existia apenas nas casas, na sociedade. O que funcionava na base do fio de bigode funcionaria em contratos reconhecidos e protegidos pela lei - e com o estado tendo um papel previsível no mercado de capitais. Mesmo com escravidão, uma estrutura creditícia privada era uma possibilidade real no Brasil.

Nada disso aconteceu - e não exatamente por causa dos agentes privados. A Constituição também definia um poder absoluto para o monarca. O primeiro a fazer uso dela, d. Pedro I, levou a extremos seu poder de falsear moedas e modificar contratos. E tomou crédito como nunca, sem nenhum sentido produtivo. Apenas os empréstimos ligados ao tratado de reconhecimento da independência continham créditos no valor de algo em torno de 15% do PIB (ou equivalente a meio ano de exportações) sem que a nação recebesse nada do dinheiro para aplicar produtivamente. Com esse único ato, o monarca simplesmente demoliu o já precário sistema de crédito existente, tomando muito mais do que ele podia fornecer.

MAs não parou por aí. Ao mesmo tempo, aumentou os gastos do governo e assinou um tratado comercial que fazia diminuir as receitas. PAra cobrir a diferença, imprimiu papel, falseando o valor da moeda. Por essa via, a conta foi transferida para a população na forma de uma onda inflacionária. Ela varreu a riqueza, deixou os pobres mais pobres, levou à falência o Banco do Brasil - e centenas de burgueses.'

Continua domingo que vem...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Lula, um produto de alquimia midiática

Trecho da página 87 do livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown:

"De modo semelhante, os alquimistas primitivos se esforçaram em vão para converter chumbo em ouro sem nunca perceber que essa transformação nada mais era do que uma metáfora para a exploração do verdadeiro potencial humano: pegar uma mente obtusa, ignorante, e transformá-la em uma mente brilhante e iluminada."

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Em baixa?

O comunismo está em alta no poder. Do governo vem o PNDH3. Os postulantes ao governo são praticantes ou, ao menos, simpatizantes. Os liberais não participam sequer do debate nacional. No meio cultural, incluindo as bilionárias emissoras de televisão, só as idéias "progressistas" é que são permitidas.

Mas...parece que perdeu apelo perante a população. É o que se depreende do texto abaixo, da Falha On Line:


"A edição de 2010 da reunião das esquerdas mundiais, que terminou nesta sexta-feira (29) em Porto Alegre, não empolgou. Longe disso: o cansaço ficou mais por conta do calor do que pela intensidade dos debates. Segundo dados divulgados pela organização, a média de público não chegou a 40 pessoas por evento.

Das quase mil atividades realizadas em cinco dias, poucas reuniram um público expressivo; menos ainda conseguiram empolgar. “Foi bom, claro que foi. Mas em relação a outras edições realizadas aqui na cidade, acho que faltou um pouco de conteúdo novo”, afirmou o estudante carioca Jorge da Silva Ramos."

Debate no MSM

Acompanhei no Mídia Sem Máscara um debate entre Heitor De Paola e Tibiriçá Ramalho.

De Paola defende, como eu, que PSDB e PT são partidos praticamente iguais.

Tibiriça entende que o PSDB não é o partido ideal, mas defende voto no Comunista Bicudo para não repetirmos o que ocorreu na Venezuela, onde a oposição se abstve de ir às urnas em determinado momento, entregando todo o poder na mão de Chavez.

Acho que ambos possuem argumentos válidos.

No entanto, a situação na Venezuela me parecia diferente. Havia uma oposição a ser votada, mas os elitores preferiram não comparecer às urnas. No Brasil, não há esta opção de oposição. Aqui, num simulacro de democracia, o eleitor deve decidir entre o comunismo de penas e o comunismo da estrela. E só.

A opinião de Comunista Bicudo

O candidato Comunista Bicudo ocupa a liderença das pesquisas de intenção de voto para presidente da república. Mesmo assim, não conhecemos sua opinião sobre nenhum assunto relevante, somente sobre platitudes.

Hoje pela manhã vi na TV um entrevistado dizendo que quem foge da divergência, do debate, comete um atentado contra a democracia.

Acho que ele tem razão. Mas acho, também, que no caso do candidato Comunista Bicudo o problema não é esconder a divergência, é de excesso de convergência.

Um pouco da sua liderança nas pesquisas talvez se deva ao fato de que parte da população o enxergue como alternativa ao que está aí. Como, talvez, ele seja exatamente igual ao que está aí, ideologicamente ao menos, melhor ficar quieto e deixar a população pensando o contrário.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Entrevista com candidatos, 4

- Senhoras e senhores, encerrando a nossa série de entrevistas com os candidatos à presidência, recebemos aqui a candidata Comunista Verde. Boa noite candidata.

- Boa noite.

- Candidata, se a senhora me permite, a sua campanha está meio apagada.

- É o meu jeitinho...afinal, passei 5 anos no ministério sem aparecer.

- Candidata, explique para os nossos telespectadores qual a sua visão de mundo.

- Eu sonho com um mundo onde a Chita mande no Tarzan.

- Interessante. Mas candidata, falou-se da possibilidade da sua candidatura a vice na chapa do candidato Bicudo. Isto tem fundamento?

- Eu sou uma pessoa da natureza, e tucano é natureza.

- Entendo. Por que a senhora escolheu um industrial bilionário para ser seu candidato a vice?

- Porque discurso não paga as contas da campanha. Além disso, ele tem jatinho.

- Então a senhora pretende fazer campanha a bordo do jatinho.

- Sim.

- Mas isto não vai contra a sua pregação ecológica? Afinal, um jatinho emite uma quantidade enorme de poluentes, para transportar apenas poucas pessoas.

- Eu tenho certeza que o planeta não se importa de fazer este sacrifício por mim.

- Acho que entendi. Candidata, a senhora foi ministra do meio ambiente por mais de 5 anos, e isto não reduziu em nada o desmatamento na Amazônia. Por que o povo deve acreditar que será diferente caso a senhora seja eleita presidente?

- Porque eu falo com a voz baixa, e tenho uma aparência humilde, sofrida, que seduz as pessoas.

- A senhora acha que o discurso do aquecimento global rende votos?

- Votos e verbas.

- A senhora acha que preservação da natureza e desenvolvimento econômico são, pelo menos, valores equivalentes?

- Não. Sou pela natureza.

- OK candidata, quero agradecer a sua participação e parabenizar pela sinceridade nas respostas.

Entrevista com candidatos, 3

- Senhoras e senhores, nesta noite temos a honra de receber para entrevistar o candidato Chavez do Sertão. Boa noite candidato.

- Boa noite.

- Candidato, percebemos que havia uma indefinição na sua candidatura. Não sabíamos se o senhor seria candidato à presidência ou ao governo de São Paulo. O que levou o senhor a decidir pela presidência?

- O Lula mandou.

- Entendo. Bem, quais são os seus planos para o Brasil, caso seja eleito?

- Vou fazer pelo Brasil tudo aquilo que fiz quando governador do meu estado. Quero que o meu estado seja um modelo de desenvolvimento para o Brasil.

- Mas candidato, as notícias que temos sobre o seu estado indicam que há uma série de problemas. Muita miséria, corrupção, coronelismo, falta d´água...

- Isso é o que você lê na imprensa, e a imprensa burguesa é contra a minha candidatura. Se você quiser conhecer a realidade do meu estado tem que tirar a bunda da cadeira e ir lá, ver de perto. Depois disso você vai achar que a Suíça é um país atrasado.

- Candidato, caso o senhor seja eleito, como será a sua relação com o congresso nacional?

- Acho congresso uma perda de tempo. Se eu for eleito vou fazer um plebiscito para acabar com o congresso. Mandarei sozinho, já que eu sei tudo o que é bom para o povo.

- E o seu plano sobre a política econômica?

- Bom, como fui eu quem criou o plano real, eu...

- Candidato, desculpe interrompê-lo. O plano real não foi criado pela equipe do então ministro Fernando Henrique Cardoso?

- Não, fui eu que criei.

- Ah..., bom, queria aproveitar para parabenizá-lo por sua belíssima esposa. Muito bom gosto da sua parte. Já da parte dela...

- Você quer que eu enfie a mão na sua cara?

- Não candidato. Bem, vamos encerrando por hoje. Obrigado a todos.