Praticamente não assisto televisão já há bastante tempo. Nem TV a cabo. Mas ontem à noite eu aguardava um voo numa sala da Tam no aeroporto. A TV estava ligada na Globo. Procurei a poltrona mais distante possível do monitor de TV, mas como a sala estava relativamente vazia o som da TV chegava alto e claro até os meus ouvidos. Passava o jornal nacional.
Durante o tempo em que aguentei ficar na sala passaram três “reportagens”, em sequência:
- A primeira desconstruía o senador Demóstenes Torres. Ele merece. Mas não ouvi nenhum pio sobre pelo menos um deputado petista que também foi flagrado pelas gravações. Também não ouvi nada sobre as lanchas que a então ministra da pesca Ideli Salvati pagou para um dos seus doadores de campanha. Ao final da “reportagem”, a cereja: “Em São Paulo o presidente do PT, Rui Falcão, declarou que o senador deverá ser cassado”. Como é que é? Ouvir a opinião do presidente do partido mais corrupto da república em um caso de corrupção? Como se o PT fosse uma reserva moral da política brasileira? É o mesmo que ouvir um pedófilo em uma reportagem sobre educação infantil.
- Encerrado o capítulo do dia da destruição de Demóstenes, foram direto para Israel para mostrar como as vítimas palestinas sofrem nas mãos dos cruéis israelenses. Provavelmente os foguetes que os inocentes palestinos passam os dias jogando sobre Israel são foguetes de São João...
- De Israel pularam para a Índia. Por um instante achei que tinham mudado de canal, e que estava passando o antigo seriado da Mulher Maravilha. Mas logo percebi que era apenas uma “reportagem” baba ovo sobre a viagem da “super Dilma”.
Aí não aguentei mais, levantei e saí da sala.
O Jornal Nacional parecia uma típica cartilha esquerdista atual:
1) Bata na oposição;
2) Mostre os Israelenses como algozes de inocentes palestinos;
3) Endeuse lideranças companheiras.
Milhões de pessoas, sem capacidade crítica, assistem o noticioso todas as noites. E o “jornalismo” da Globo segue trabalhando pela sua causa (apenas observando que a Globo não é esquerdista, ela é governista. Uma espécie de Paulo Henrique Amorim corporativo, a Globo é governo desde 1965, quando iniciou suas operações. Neste período todo deixou de ser governo por apenas alguns meses, quando percebeu que a situação de Collor já era caso perdido. O jornalismo da Globo é aquele que mostrava os comícios pelas Diretas Já como comemorações pelo 1º de maio, e que tinha Franklin Martins como comentarista político na época do mensalão).
sábado, 31 de março de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Que comissão é essa?
O senado formou uma comissão de notáveis juristas para propor um projeto de mudança do Código Penal. Pelo que sabemos até agora, o projeto libera o aborto, pega leve com terroristas e garante imunidade penal a atos terroristas praticados por "movimentos sociais".
Que juristas são esses, meu Deus do céu?
Com juristas assim, é mais provável encontrar justiça num julgamento promovido por traficantes de um morro carioca qualquer...
Que juristas são esses, meu Deus do céu?
Com juristas assim, é mais provável encontrar justiça num julgamento promovido por traficantes de um morro carioca qualquer...
MST recebe carta branca
Da Veja.com:
"A comissão de juristas que prepara mudanças no Código Penal aprovou nesta sexta-feira a tipificação do crime de terrorismo, ausente na legislação atual. O novo delito foi definido como o "ato de causar terror na população" por meio de sequestro, cárcere privado, uso de explosivos, material tóxico químico ou biológico, depredação, implosão, sabotagem, invasão e saques.
Também entram na classificação de terrorismo sabotagem de veículos de transporte, aparatos de telecomunicação e instalações públicas de todo o tipo. A diferença é que, nesses casos, para a caracterização do novo crime, será preciso que esses atos sejam praticados para fins específicos, como o financiamento de grupos armados insurgentes.
A pena prevista, claro, é branda: de oito a 15 anos de prisão. O texto elaborado por juristas também poupa grupos que, como o Movimento dos Sem Terra (MST), recorrem a práticas semelhantes à de terrorista: prevê que entidades do movimento social estão livres de serem enquadradas neste crime “desde que objetivos e meios sejam compatíveis e adequados a sua finalidade”."
Comento: ou seja, para praticar atos de terrorismo no Brasil e não correr risco de punição, bastará que os terroristas se reúnam num grupo, para caracterizar um movimento social. Uma espécie de Al Qaeda, que é um movimento social pela eliminação dos infiéis...
"A comissão de juristas que prepara mudanças no Código Penal aprovou nesta sexta-feira a tipificação do crime de terrorismo, ausente na legislação atual. O novo delito foi definido como o "ato de causar terror na população" por meio de sequestro, cárcere privado, uso de explosivos, material tóxico químico ou biológico, depredação, implosão, sabotagem, invasão e saques.
Também entram na classificação de terrorismo sabotagem de veículos de transporte, aparatos de telecomunicação e instalações públicas de todo o tipo. A diferença é que, nesses casos, para a caracterização do novo crime, será preciso que esses atos sejam praticados para fins específicos, como o financiamento de grupos armados insurgentes.
A pena prevista, claro, é branda: de oito a 15 anos de prisão. O texto elaborado por juristas também poupa grupos que, como o Movimento dos Sem Terra (MST), recorrem a práticas semelhantes à de terrorista: prevê que entidades do movimento social estão livres de serem enquadradas neste crime “desde que objetivos e meios sejam compatíveis e adequados a sua finalidade”."
Comento: ou seja, para praticar atos de terrorismo no Brasil e não correr risco de punição, bastará que os terroristas se reúnam num grupo, para caracterizar um movimento social. Uma espécie de Al Qaeda, que é um movimento social pela eliminação dos infiéis...
Napoleão de hospício
"Volto à política porque o Brasil precisa continuar crescendo, precisa continuar se desenvolvendo, precisa continuar gerando emprego, gerando distribuição de renda e melhorando a vida de milhões e milhões de brasileiros que conseguiram chegar à classe média e não querem voltar atrás e daqueles que sonham em chegar à classe média." Lula.
A existência de um Lula no cenário político brasileiro, com a força que tem, é a garantia mais absoluta que pode existir de que o país não vai se desenvolver.
O país pode até ter espasmos de crescimento, aproveitando ondas de crescimento econômico mundial. O país pode até ter espasmos de crescimento produzidos com liberação a rôdo de dinheiro barato do BNDES para eleger companheira, mas um dia a conta chega. O país pode até estar cheio de gente que compra em 36 ou 48 vezes nas Casas Bahia e que, por isso, acredita que chegou à classe média, mesmo que sigam sendo analfabetos funcionais.
Mas para crescer e se desenvolver de forma sustentada num mundo extremamente competitivo o país precisaria de educação (de verdade), inovação, eficiência e livre iniciativa (real). Mas isto jamais vai acontecer, pois num ambiente desses a primeira coisa que o povo faria seria se livrar de "lulas" e companhia.
Lula e companhia precisam é de pobreza e ignorância, para seguir cobrando no presente a conta da promessa de um futuro melhor.
A existência de um Lula no cenário político brasileiro, com a força que tem, é a garantia mais absoluta que pode existir de que o país não vai se desenvolver.
O país pode até ter espasmos de crescimento, aproveitando ondas de crescimento econômico mundial. O país pode até ter espasmos de crescimento produzidos com liberação a rôdo de dinheiro barato do BNDES para eleger companheira, mas um dia a conta chega. O país pode até estar cheio de gente que compra em 36 ou 48 vezes nas Casas Bahia e que, por isso, acredita que chegou à classe média, mesmo que sigam sendo analfabetos funcionais.
Mas para crescer e se desenvolver de forma sustentada num mundo extremamente competitivo o país precisaria de educação (de verdade), inovação, eficiência e livre iniciativa (real). Mas isto jamais vai acontecer, pois num ambiente desses a primeira coisa que o povo faria seria se livrar de "lulas" e companhia.
Lula e companhia precisam é de pobreza e ignorância, para seguir cobrando no presente a conta da promessa de um futuro melhor.
Juventude, imprensa...
Cerca de 30 jovens trabalham aqui comigo. Trabalham duro durante o dia para pagar a faculdade que cursam à noite. Ralam, se sacrificam, pagam impostos e almejam construir com seu trabalho um futuro melhor para eles e para suas famílias. NUNCA a imprensa se interessou por nenhum deles.
Agora, se eles desistirem do trabalho, do esforço, dos estudos, e resolverem sair pela rua quebrando patrimônio público, ameaçando pessoas e cuspindo na cara de velhos, em nome da construção do socialismo, serão imediatamente alçados às manchetes. Virarão queridinhos da mídia, e portas de ONGs financiadas pelo governo petista estarão abertas para eles.
Este é um país que está no rumo certo?
Agora, se eles desistirem do trabalho, do esforço, dos estudos, e resolverem sair pela rua quebrando patrimônio público, ameaçando pessoas e cuspindo na cara de velhos, em nome da construção do socialismo, serão imediatamente alçados às manchetes. Virarão queridinhos da mídia, e portas de ONGs financiadas pelo governo petista estarão abertas para eles.
Este é um país que está no rumo certo?
quinta-feira, 29 de março de 2012
Juventude

Lula já fez uma fevelação bombástica - a mãe dele nasceu analfabeta. Vou fazer uma também - eu já fui jovem.
E sei que se o mundo fosse entregue aos jovens, em 30 dias voltaríamos a morar em cavernas, em 60 dias estaríamos praticando canibalismo, e em no máximo um ano a humanidade estaria extinta.
Jovem é aquele que não sabe nada sobre nada, mas tem convicção sobre tudo e uma solução fácil para cada problema complexo do mundo.
Na imagem acima vemos um jovem cuspindo no rosto de um militar da reserva. Já disse que penso que os militares brasileiros são uns bananas. Se o alvo do cuspe fosse o meu rosto este jovem pagaria muito caro.
Mas vamos adiante - é graças aos militares que imbecis como esses, que nem nascidos eram quando o regime militar terminou, podem protestar na rua. Se o lado que eles defendem hoje tivésse vencido, não estariam na rua protestando (até porque seria proibido protestar). Estariam numa fábrica, trabalhando 18 horas por dia, por um salário inferior ao salário mínimo atual, tendo que comer migalhas e limpando a b. com jornal.
Propaganda
No início a propaganda servia apenas para divulgação: “Seu fulano, de Cafundó do Judas, informa que possui uma roda de carroça em bom estado para vender”. Pronto, quem precisasse de uma roda de carroça, e não morasse muito longe de Cafundó do Judas, poderia ir até o seu fulano, negociar a sua roda.
Com a “evolução” a propaganda deixou de ser apenas um veículo para divulgação, e passou a ser um instrumento de convencimento. Atualmente a propaganda não se limita a anunciar que o seu fulano possui uma roda de carroça para vender. Ela nos convence de que precisamos de uma roda de carroça, que não podemos viver sem uma roda de carroça, mesmo que não tenhamos carroça. E no exato momento em que adquirirmos a roda do seu fulano, a propaganda vai nos convencer que aquela roda está ultrapassada, que boa mesmo é a do seu beltrano.
Assim a propaganda nos faz comprar o que não precisamos, nos faz comprar produtos que, de antemão, sabemos que não produzirão os efeitos anunciados, nos faz gastar o que não temos, nos faz escravos de produtos e marcas, como perfeitas marionetes.
Eu e qualquer leitor já fomos manipulados milhões de vezes pela propaganda, a maioria delas inconscientemente (quando compramos aquelas facas Ginsu tínhamos certeza de que precisávamos delas, não?). Mas há pelo menos dois momentos em que eu tive consciência de ser atingido pela propaganda. Acho que já contei para os leitores, mas contarei novamente:
- Em 1986 eu vivia numa pobreza franciscana. Assistia maravilhado à saga de Cristiano Vilhena em Selva de Pedra (2ª versão), que foi da miséria à fortuna em poucos capítulos. Sonhava em ser como o Cristiano Vilhena. Depois de ficar milionário, Cristiano Vilhena vai a um restaurante com um amigo. Come, pede a conta e faz um cheque. O garçom, de forma constrangida, alerta: “cavalheiro, não aceitamos cheques aqui neste estabelecimento”. O amigo de Cristiano Vilhena intervém: “mas este cheque é 5 estrelas (do Itaú)”, ao que o garçom replica: “desculpe, eu não tinha observado”, e aceita o cheque. Pronto, fui fisgado. Tão logo pude ter uma conta bancária, fui ser cliente do Itaú, e lá estou até hoje, apesar de o Itaú me tratar a chicotadas (um dia escreverei um texto narrando minha “saga” de cliente do Itaú...).
- Em 1998 adquiri meu primeiro celular digital. Cheguei em casa todo feliz, com o celular na caixa, anunciando para minha esposa. Sentamos os dois no sofá, eu para abrir e mostrar, ela toda curiosa para ver. A TV estava ligada. Enquanto eu abria a caixa entrou no ar uma propaganda com Luiz Fernando Guimarães e Pedro Cardoso, onde Pedro Cardoso pegava seu celular, falava “Luiz, e o celular do Luiz Fernando Guimarães começava a tocar. Inconscientemente eu larguei a caixa, nem terminei de abrir, levantamos e fomos jantar. Posteriormente eu tive celular com este recurso, mas nunca nem o usei, como acho que a maioria da população nunca utilizou.
A propaganda é capaz de nos convencer do contrário daquilo que sabemos por experiência empírica. Por exemplo, centenas de viagens já foram suficientes para me comprovar que viajar pela Tam é um inferno (como também pela Gol). No entanto, sempre que assisto à Ivete Sangallo fazendo propaganda da Tam, com o sorriso aberto, sinto instintivamente vontade de viajar...pela Tam.
Poderíamos até afirmar que a democracia acabou quando a propaganda chegou à política. A partir deste momento deixamos de votar no melhor candidato, ou na melhor proposta, e passamos a votar no melhor marqueteiro, que é um sujeito que nem conhecemos.
Mas atingir o campo político a propaganda deu um passo adiante – as notícias jornalísticas se transformaram em propaganda eleitoral, e pegaram os consumidores, digo, eleitores, totalmente desprevenidos, pois eles acreditam no jornalismo.
Vejamos o caso da candidatura Obama. Como observa Olavo de Carvalho, no texto abaixo, a mídia americana conseguiu transformar um desconhecido em presidente dos Estados Unidos, convencendo mais da metade da população americana de que eles precisavam de “mudança” e que somente o desconhecido Obama poderia ser o agente desta “mudança”. É o maior sucesso de marketing da história. Se perguntássemos a cada cidadão americano, o povo mais rico e obeso do mundo, que tipo de “mudança” desejavam, creio que o máximo que ouviríamos seria: “quero uma dieta que funcione”. No entanto, mesmo sem saber o que queriam que mudasse, mais da metade dos americanos urravam pelas ruas em 2008: “change!”, “change!”.
No Brasil aconteceu fenômeno semelhante. Não sei se os leitores recordam, mas em 2002 a imprensa nos convenceu que “era preciso mudar”. Até amigos meus, que tinham se construído profissionalmente durante os oito anos de mandato de FHC diziam: “não dá mais, tem que mudar”. Eu perguntava: mas tem que mudar exatamente o quê? E as pessoas respondiam com profundidade e conteúdo: “tem que mudar!” “tem que mudar!”. E a mídia informou que somente Lula poderia ser o agente da mudança.
Lula eleito, não mudou nada (exceto a corrupção, que passou a ser maior e tolerada por boa parte da imprensa). 2003 e 2004 foram anos de frustração com o governo Lula, e em 2004 o PT perdeu importantes prefeituras, como São Paulo e Porto Alegre. Outras, deixou de ganhar, por exemplo – tinham quase levado a prefeitura de Curitiba em 2000, e em 2004 perderam de lavada. Era um sinal de insatisfação. 2005 foi o ano do mensalão, e Lula só não perdeu o mandato porque o “pensador” FHC não deixou. Lula chegou ao fim de 2005 liquidado politicamente. 75% do seu mandato já tinha transcorrido, e o período era preenchido por falta de ação administrativa e corrupção a rodo. As pesquisas apontavam que o candidato do PSDB em 2006, quem quer que fosse, ganharia de lavada. Fomos todos (os não lulistas) curtir a virada do ano na praia, tranquilos e crentes de que 2006 marcaria o fim do poder petista em nível federal.
Mas, eis que enquanto gozávamos o nosso descanso nas praias os barões da mídia e do petismo se reuniram (será que eles precisam se reunir para este tipo de coisa, ou é instintivo?) e concluíram: “quem este eleitor acha que é para imaginar que pode pensar por conta própria?”, e também: “vamos mostra a essa gente com quem eles estão tratando”. E a partir de janeiro de 2006 foi como se o Lula morto politicamente do final de 2005 nunca tivesse existido. Em janeiro de 2006 fomos apresentados ao Lula imbatível e líder nas pesquisas. Este Lula que conhecemos hoje, que pensa que é Deus, é uma criação de janeiro de 2006. Para criar o “Super Lula” foram convocadas a imprensa falada, escrita e televisionada, os institutos de pesquisa e os artistas, que diziam: “gostaríamos muito de ver o senhor reeleito, presidente Lula”, ou aqueles que, como Paulo Bety, eram mais escatológicos: “não dá prá fazer política sem pôr a mão na m.” Antes de Lula eles não pensavam assim...
Lembro de uma cena patética – no começo de 2006, poucos dias após a divulgação da primeira pesquisa do “Super Lula”, eu fui visitar um cliente, cujo contador era petista. Logo que cheguei, ele já foi me mostrando a pesquisa. E eu, pateticamente tentando entender o que acontecia, “expliquei” que os eleitores que não votariam no PT ainda estavam na praia e os institutos não faziam pesquisa na praia. É incrível como a cada dia que passa descobrimos como éramos ingênuos no dia anterior.
Talvez Lula tenha se assustado com o prazo curto (apenas 10 meses) entre a criação midiática do “Super Lula” e as eleições. Assim, já no início de 2007 ele criou a “Mão do PAC”, e a mídia teve 4 anos para martelar isso nas nossas cabeças.
E assim segue o povo, imaginando serem eles próprios quem tomam as principais decisões de suas vidas. Comprando e votando.
Com a “evolução” a propaganda deixou de ser apenas um veículo para divulgação, e passou a ser um instrumento de convencimento. Atualmente a propaganda não se limita a anunciar que o seu fulano possui uma roda de carroça para vender. Ela nos convence de que precisamos de uma roda de carroça, que não podemos viver sem uma roda de carroça, mesmo que não tenhamos carroça. E no exato momento em que adquirirmos a roda do seu fulano, a propaganda vai nos convencer que aquela roda está ultrapassada, que boa mesmo é a do seu beltrano.
Assim a propaganda nos faz comprar o que não precisamos, nos faz comprar produtos que, de antemão, sabemos que não produzirão os efeitos anunciados, nos faz gastar o que não temos, nos faz escravos de produtos e marcas, como perfeitas marionetes.
Eu e qualquer leitor já fomos manipulados milhões de vezes pela propaganda, a maioria delas inconscientemente (quando compramos aquelas facas Ginsu tínhamos certeza de que precisávamos delas, não?). Mas há pelo menos dois momentos em que eu tive consciência de ser atingido pela propaganda. Acho que já contei para os leitores, mas contarei novamente:
- Em 1986 eu vivia numa pobreza franciscana. Assistia maravilhado à saga de Cristiano Vilhena em Selva de Pedra (2ª versão), que foi da miséria à fortuna em poucos capítulos. Sonhava em ser como o Cristiano Vilhena. Depois de ficar milionário, Cristiano Vilhena vai a um restaurante com um amigo. Come, pede a conta e faz um cheque. O garçom, de forma constrangida, alerta: “cavalheiro, não aceitamos cheques aqui neste estabelecimento”. O amigo de Cristiano Vilhena intervém: “mas este cheque é 5 estrelas (do Itaú)”, ao que o garçom replica: “desculpe, eu não tinha observado”, e aceita o cheque. Pronto, fui fisgado. Tão logo pude ter uma conta bancária, fui ser cliente do Itaú, e lá estou até hoje, apesar de o Itaú me tratar a chicotadas (um dia escreverei um texto narrando minha “saga” de cliente do Itaú...).
- Em 1998 adquiri meu primeiro celular digital. Cheguei em casa todo feliz, com o celular na caixa, anunciando para minha esposa. Sentamos os dois no sofá, eu para abrir e mostrar, ela toda curiosa para ver. A TV estava ligada. Enquanto eu abria a caixa entrou no ar uma propaganda com Luiz Fernando Guimarães e Pedro Cardoso, onde Pedro Cardoso pegava seu celular, falava “Luiz, e o celular do Luiz Fernando Guimarães começava a tocar. Inconscientemente eu larguei a caixa, nem terminei de abrir, levantamos e fomos jantar. Posteriormente eu tive celular com este recurso, mas nunca nem o usei, como acho que a maioria da população nunca utilizou.
A propaganda é capaz de nos convencer do contrário daquilo que sabemos por experiência empírica. Por exemplo, centenas de viagens já foram suficientes para me comprovar que viajar pela Tam é um inferno (como também pela Gol). No entanto, sempre que assisto à Ivete Sangallo fazendo propaganda da Tam, com o sorriso aberto, sinto instintivamente vontade de viajar...pela Tam.
Poderíamos até afirmar que a democracia acabou quando a propaganda chegou à política. A partir deste momento deixamos de votar no melhor candidato, ou na melhor proposta, e passamos a votar no melhor marqueteiro, que é um sujeito que nem conhecemos.
Mas atingir o campo político a propaganda deu um passo adiante – as notícias jornalísticas se transformaram em propaganda eleitoral, e pegaram os consumidores, digo, eleitores, totalmente desprevenidos, pois eles acreditam no jornalismo.
Vejamos o caso da candidatura Obama. Como observa Olavo de Carvalho, no texto abaixo, a mídia americana conseguiu transformar um desconhecido em presidente dos Estados Unidos, convencendo mais da metade da população americana de que eles precisavam de “mudança” e que somente o desconhecido Obama poderia ser o agente desta “mudança”. É o maior sucesso de marketing da história. Se perguntássemos a cada cidadão americano, o povo mais rico e obeso do mundo, que tipo de “mudança” desejavam, creio que o máximo que ouviríamos seria: “quero uma dieta que funcione”. No entanto, mesmo sem saber o que queriam que mudasse, mais da metade dos americanos urravam pelas ruas em 2008: “change!”, “change!”.
No Brasil aconteceu fenômeno semelhante. Não sei se os leitores recordam, mas em 2002 a imprensa nos convenceu que “era preciso mudar”. Até amigos meus, que tinham se construído profissionalmente durante os oito anos de mandato de FHC diziam: “não dá mais, tem que mudar”. Eu perguntava: mas tem que mudar exatamente o quê? E as pessoas respondiam com profundidade e conteúdo: “tem que mudar!” “tem que mudar!”. E a mídia informou que somente Lula poderia ser o agente da mudança.
Lula eleito, não mudou nada (exceto a corrupção, que passou a ser maior e tolerada por boa parte da imprensa). 2003 e 2004 foram anos de frustração com o governo Lula, e em 2004 o PT perdeu importantes prefeituras, como São Paulo e Porto Alegre. Outras, deixou de ganhar, por exemplo – tinham quase levado a prefeitura de Curitiba em 2000, e em 2004 perderam de lavada. Era um sinal de insatisfação. 2005 foi o ano do mensalão, e Lula só não perdeu o mandato porque o “pensador” FHC não deixou. Lula chegou ao fim de 2005 liquidado politicamente. 75% do seu mandato já tinha transcorrido, e o período era preenchido por falta de ação administrativa e corrupção a rodo. As pesquisas apontavam que o candidato do PSDB em 2006, quem quer que fosse, ganharia de lavada. Fomos todos (os não lulistas) curtir a virada do ano na praia, tranquilos e crentes de que 2006 marcaria o fim do poder petista em nível federal.
Mas, eis que enquanto gozávamos o nosso descanso nas praias os barões da mídia e do petismo se reuniram (será que eles precisam se reunir para este tipo de coisa, ou é instintivo?) e concluíram: “quem este eleitor acha que é para imaginar que pode pensar por conta própria?”, e também: “vamos mostra a essa gente com quem eles estão tratando”. E a partir de janeiro de 2006 foi como se o Lula morto politicamente do final de 2005 nunca tivesse existido. Em janeiro de 2006 fomos apresentados ao Lula imbatível e líder nas pesquisas. Este Lula que conhecemos hoje, que pensa que é Deus, é uma criação de janeiro de 2006. Para criar o “Super Lula” foram convocadas a imprensa falada, escrita e televisionada, os institutos de pesquisa e os artistas, que diziam: “gostaríamos muito de ver o senhor reeleito, presidente Lula”, ou aqueles que, como Paulo Bety, eram mais escatológicos: “não dá prá fazer política sem pôr a mão na m.” Antes de Lula eles não pensavam assim...
Lembro de uma cena patética – no começo de 2006, poucos dias após a divulgação da primeira pesquisa do “Super Lula”, eu fui visitar um cliente, cujo contador era petista. Logo que cheguei, ele já foi me mostrando a pesquisa. E eu, pateticamente tentando entender o que acontecia, “expliquei” que os eleitores que não votariam no PT ainda estavam na praia e os institutos não faziam pesquisa na praia. É incrível como a cada dia que passa descobrimos como éramos ingênuos no dia anterior.
Talvez Lula tenha se assustado com o prazo curto (apenas 10 meses) entre a criação midiática do “Super Lula” e as eleições. Assim, já no início de 2007 ele criou a “Mão do PAC”, e a mídia teve 4 anos para martelar isso nas nossas cabeças.
E assim segue o povo, imaginando serem eles próprios quem tomam as principais decisões de suas vidas. Comprando e votando.
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